Dispraxia, ou Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC)

Dispraxia (TDC): o que é, impactos no dia a dia e como tratar

A dispraxia, também conhecida como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC), é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade da pessoa de planejar, coordenar e executar movimentos.

Apesar de pouco conhecida pelo público em geral, ela pode causar um grande impacto na vida escolar, social e emocional de crianças, adolescentes e adultos.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é dispraxia (TDC)
  • Quais são os principais sinais e impactos no dia a dia
  • Como é feito o diagnóstico
  • Quais são as opções de tratamento e apoio
  • Como a família e a escola podem ajudar

O que é dispraxia (Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação)?

A dispraxia é um transtorno do neurodesenvolvimento em que o cérebro tem dificuldade para organizar e enviar comandos motores de forma eficiente ao corpo.

Em termos simples: a pessoa sabe o que quer fazer, mas não consegue executar o movimento com a mesma facilidade que os outros.

Ela pode afetar:

  • Motricidade fina: escrever, desenhar, recortar, abotoar roupas, usar talheres
  • Motricidade grossa: correr, pular, subir escadas, chutar bola, andar de bicicleta
  • Coordenação visomotora: copiar da lousa, montar quebra-cabeças, acompanhar objetos em movimento

É importante destacar que a dispraxia não está ligada à falta de inteligência ou preguiça. Muitas pessoas com TDC têm inteligência dentro ou acima da média, mas enfrentam desafios específicos para realizar tarefas motoras.


Principais sinais e impactos da dispraxia no dia a dia

Os sinais variam conforme a idade, mas alguns padrões são comuns.

1. Na infância

Na infância, a dispraxia pode aparecer como:

  • Atraso para sentar, engatinhar ou andar
  • Dificuldade para segurar lápis, talheres ou escova de dentes
  • Letra muito ilegível e cansaço rápido ao escrever
  • Queda e tropeços frequentes
  • Dificuldade com jogos e esportes que exijam coordenação

Esses desafios podem gerar:

  • Baixa autoestima (“sou desajeitado”, “não sirvo para esportes”)
  • Frustração com tarefas simples para outras crianças
  • Comparações constantes com colegas e irmãos

2. Na escola

No ambiente escolar, os impactos podem ser bem visíveis:

  • Dificuldade para copiar da lousa com velocidade
  • Cadernos desorganizados, letras irregulares ou quase ilegíveis
  • Desempenho abaixo do potencial em atividades que exigem coordenação
  • Evitar educação física ou atividades em grupo
  • Fadiga física e mental após tarefas aparentemente simples

Isso pode levar professores e colegas a enxergarem a criança como “desatenta”, “relaxada” ou “sem capricho”, quando na verdade ela enfrenta uma dificuldade neurológica real.

3. Na adolescência e vida adulta

Quando não identificada, a dispraxia pode continuar impactando:

  • Habilidades de direção (dirigir carro, moto, bicicleta)
  • Organização pessoal e planejamento de tarefas
  • Coordenação em atividades profissionais que exigem precisão motora
  • Segurança em ambientes novos ou com muitas demandas motoras

Além da parte física, existe um impacto forte em:

  • Autoestima
  • Autoconfiança
  • Relações sociais (pessoas podem evitar atividades em grupo por vergonha)

A dispraxia tem cura?

A dispraxia não tem “cura” no sentido tradicional, porque é uma condição do neurodesenvolvimento.
Porém, com diagnóstico correto, intervenção adequada e apoio contínuo, é possível:

  • Reduzir bastante os impactos
  • Desenvolver estratégias de compensação
  • Melhorar a autonomia e a qualidade de vida

Ou seja: a pessoa não deixa de ter dispraxia, mas pode aprender a viver muito melhor com ela.


Como é feito o diagnóstico da dispraxia (TDC)?

O diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, como:

  • Neuropediatra
  • Neurologista
  • Psiquiatra infantil
  • Equipe multiprofissional (psicopedagogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta etc.)

O processo geralmente inclui:

  • Entrevista com a família e/ou a própria pessoa
  • Histórico do desenvolvimento motor e escolar
  • Observação de atividades práticas
  • Testes padronizados de coordenação motora

É fundamental descartar outras condições que possam causar sintomas parecidos e verificar a presença de possíveis comorbidades, como TDAH, dificuldades de aprendizagem ou transtornos de linguagem.

Importante: Não é recomendado que pais ou responsáveis tentem “diagnosticar” a dispraxia sozinhos. Sempre procure um profissional de saúde qualificado para avaliação.


Tratamento da dispraxia: como ajudar na prática?

Embora a dispraxia não tenha cura, o tratamento adequado pode fazer uma diferença enorme na vida da pessoa.

1. Terapia ocupacional

A terapia ocupacional é uma das principais formas de intervenção.
O terapeuta ajuda a pessoa a:

  • Desenvolver habilidades motoras finas e grossas
  • Melhorar a coordenação e o equilíbrio
  • Aprender estratégias práticas para o dia a dia (vestir-se, se alimentar, escrever, organizar o material)
  • Usar adaptações que facilitem tarefas (lápis mais grossos, talheres especiais, apoios etc.)

2. Fisioterapia

Em alguns casos, a fisioterapia também é indicada para:

  • Trabalhar força, equilíbrio e postura
  • Desenvolver controle motor global
  • Melhorar a confiança em movimentos mais complexos (pular, correr, subir, descer, etc.)

3. Acompanhamento psicopedagógico ou escolar

Um apoio pedagógico especializado pode ajudar a:

  • Adaptar atividades escolares
  • Organizar rotinas de estudo
  • Inserir recursos como computador, teclado ou materiais visuais
  • Diminuir a frustração em relação ao desempenho acadêmico

4. Apoio psicológico

Algumas pessoas com dispraxia desenvolvem:

  • Ansiedade
  • Vergonha
  • Medo de errar em público
  • Baixa autoestima

O apoio psicológico pode ajudar a trabalhar:

  • Autoconfiança
  • Aceitação das próprias limitações
  • Estratégias emocionais para enfrentar desafios e frustrações

Papel da família e da escola no apoio à dispraxia

A forma como o ambiente reage à criança, adolescente ou adulto com dispraxia faz toda a diferença.

Na família

  • Evitar rótulos como “desajeitado”, “lerdo”, “relaxado”
  • Incentivar pequenas conquistas diárias
  • Ajudar na organização da rotina
  • Ter paciência com o tempo necessário para realizar tarefas
  • Celebrar esforços, não só resultados

Na escola

  • Dar mais tempo para provas e atividades escritas
  • Permitir uso de computador ou tablet quando a escrita manual for muito difícil
  • Adaptar educação física e atividades em grupo
  • Reduzir a cobrança estética (como “caderno perfeito” ou letra impecável)
  • Trabalhar em parceria com a família e profissionais de saúde

Quando a escola entende o que é dispraxia, ela deixa de enxergar a criança como “desleixada” e passa a tratá-la como alguém que precisa de apoio e estratégias específicas.


Quando procurar ajuda?

É recomendável buscar avaliação profissional quando você perceber que:

  • A criança parece muito mais desajeitada do que outras da mesma idade
  • Há grande dificuldade para aprender habilidades motoras básicas (andar de bicicleta, amarrar o tênis, usar talheres, escrever)
  • O esforço é muito maior do que o resultado, gerando choro, frustração ou rejeição de atividades
  • A escola aponta dificuldades persistentes em coordenação, escrita e organização

Quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção, maiores as chances de reduzir os impactos ao longo da vida.


Conclusão: dispraxia não é preguiça — é uma condição que merece cuidado

A dispraxia (Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação) é uma condição real, que pode afetar profundamente a vida escolar, social e emocional.

Com informação correta, diagnóstico adequado e tratamento multidisciplinar, é possível:

  • Melhorar a coordenação e a autonomia
  • Reduzir frustrações no dia a dia
  • Fortalecer autoestima e confiança
  • Construir um futuro mais leve e funcional para quem convive com a dispraxia

Se você desconfia que alguém próximo possa ter TDC — ou se identificou vários sinais em si mesmo — o próximo passo é claro: procure um profissional especializado para uma avaliação completa. Isso não é exagero; é cuidado.

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