O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um transtorno do neurodesenvolvimento que costuma se manifestar na infância e pode acompanhar o indivíduo até a vida adulta.
Apesar de ser bastante falado, ainda existe muito mito em torno do tema, o que acaba gerando culpa nos pais, conflitos na família e atrasos no diagnóstico e no tratamento.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara:
- O que é TDAH em crianças
- Os principais mitos e verdades
- Como a família pode ajudar, na prática, no dia a dia
- Dicas de convivência e apoio emocional
⚠️ Importante: Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação de profissionais de saúde (médico, psicólogo, neuropediatra, psiquiatra infantil).
O que é TDAH em crianças?
O TDAH é um transtorno caracterizado por padrões persistentes de:
- Desatenção
- Hiperatividade
- Impulsividade
Esses comportamentos não são apenas “fase” ou “falta de limites” – eles aparecem em diferentes contextos (casa, escola, atividades sociais) e prejudicam o funcionamento da criança, seja no aprendizado, nas relações ou na autoestima.
Principais sinais de TDAH em crianças
Alguns sinais comuns (que devem ser avaliados por um profissional):
- Dificuldade em manter atenção em tarefas ou brincadeiras
- Esquece com frequência tarefas, materiais escolares, recados
- Age como se estivesse “a mil por hora”
- Fala demais, interrompe conversas ou não espera a vez
- Tem dificuldade em seguir instruções até o fim
- Perde objetos com frequência (lápis, brinquedos, cadernos)
- Parece “estar no mundo da lua” com frequência
Ter alguns desses comportamentos não significa automaticamente TDAH, mas é um sinal para buscar orientação profissional.
Mitos e verdades sobre TDAH em crianças
Mito 1: “TDAH é só falta de educação e limites”
Muita gente acredita que a criança com TDAH é apenas “malcriada” ou “sem limites”.
Na verdade, TDAH não é resultado de má criação. Pais podem (e devem) impor limites, mas o transtorno está ligado ao funcionamento do cérebro, e não apenas à forma como a criança é educada.
Verdade: A forma de educar influencia o comportamento, mas não “cria” ou “cura” TDAH.
Mito 2: “Toda criança agitada tem TDAH”
Crianças, por natureza, são ativas, curiosas e às vezes agitadas. Isso é normal.
No TDAH, a hiperatividade e a desatenção são constantes, intensas e afetam o desempenho da criança, tanto em casa quanto na escola.
Verdade: Só um profissional capacitado pode avaliar se os comportamentos são esperados para a idade ou indicam TDAH.
Mito 3: “TDAH é modinha, antes não existia”
O TDAH não é uma “moda” moderna. O que existe hoje é mais informação, diagnósticos mais precisos e menos tabu.
Antigamente, muitas crianças com TDAH eram vistas apenas como “preguiçosas”, “desatentas” ou “problemáticas”.
Verdade: O transtorno já era descrito há décadas; o que mudou foi o conhecimento científico e a forma de enxergar o problema.
Mito 4: “Apenas meninos têm TDAH”
O TDAH acontece em meninos e meninas.
Porém, em meninas, os sinais podem ser mais sutis, com mais desatenção e menos hiperatividade, o que às vezes faz com que o problema passe despercebido.
Verdade: Meninas também podem ter TDAH e muitas vezes são subdiagnosticadas.
Mito 5: “Se tirar o celular e o videogame, o TDAH some”
Reduzir telas pode ajudar na qualidade do sono, na atenção e no comportamento, mas não elimina o TDAH.
O transtorno está ligado a fatores neurobiológicos, ou seja, à forma como o cérebro funciona.
Verdade: Menos telas ajuda, mas não é “cura” – faz parte de um conjunto de estratégias.
Verdades importantes sobre TDAH em crianças
- Não é culpa dos pais nem da criança.
- Com acompanhamento adequado, a criança pode se desenvolver muito bem.
- O tratamento costuma ser multidisciplinar: médico, psicólogo, escola e família.
- A criança com TDAH tem potenciais e talentos, não é definida apenas pelo transtorno.
Como a família pode ajudar de forma prática
Agora, a parte que muita gente procura:
O que os pais podem fazer no dia a dia para ajudar uma criança com TDAH?
1. Estabeleça rotina clara e previsível
Crianças com TDAH se beneficiam muito de estrutura e previsibilidade.
Dicas práticas:
- Tenha horários fixos para acordar, comer, estudar e dormir
- Use quadros visuais com as tarefas do dia (checklist simples)
- Quebre tarefas grandes em passos menores
- Relembre as tarefas com calma, sem gritar
Exemplo de rotina visual:
- Acordar
- Escovar os dentes
- Café da manhã
- Arrumar mochila
- Ir para a escola
2. Dê instruções simples e objetivas
Em vez de:
“Vai pro quarto, guarda esses brinquedos, pega seu pijama, organiza a cama e depois volta aqui rápido porque a gente está atrasado!”
Prefira:
- Peça uma coisa de cada vez:
- “Filho, primeiro vamos guardar os brinquedos.”
- Depois: “Agora, pega o pijama.”
Use:
- Frases curtas
- Tom de voz calmo
- Contato visual (olhar nos olhos)
3. Use reforço positivo
Em vez de focar apenas nos erros, valorize os acertos, mesmo que pequenos.
Exemplos de reforço positivo:
- “Gostei muito de como você terminou a lição hoje.”
- “Você está se esforçando, parabéns!”
- “Vi que você tentou ficar sentado mais tempo, isso é ótimo.”
Você pode usar:
- Tabelas de pontos ou estrelinhas
- Pequenas recompensas (tempo extra em uma brincadeira, escolher o filme, etc.)
4. Organize o ambiente
Ambientes muito cheios de estímulos dificultam a concentração.
Boas práticas:
- Local de estudo calmo e minimamente organizado
- Menos brinquedos sobre a mesa na hora da lição
- Evitar TV ligada ou celular por perto durante atividades que exigem atenção
- Deixar materiais escolares sempre nos mesmos lugares
5. Cuide do sono e da alimentação
Sono ruim e alimentação desregulada podem agravar a desatenção e irritabilidade.
Cuidados importantes:
- Horário relativamente fixo para dormir e acordar
- Evitar telas antes de dormir
- Incentivar alimentação equilibrada e hidratação
(Sem demonizar alimentos: a ideia é equilíbrio, não perfeição.)
6. Construa uma parceria com a escola
A escola é parte essencial no apoio à criança com TDAH.
Sugestões de atitudes:
- Conversar com professores sobre o diagnóstico (se houver)
- Alinhar expectativas e estratégias:
- Sentar a criança mais perto da professora
- Dar instruções escritas e orais
- Dividir tarefas longas em partes menores
- Permitir pequenas pausas, se possível
Quando família e escola trabalham juntas, a criança se sente mais segura e compreendida.
7. Cuide também da saúde emocional da família
Pais de crianças com TDAH muitas vezes se sentem:
- Culpados
- Cansados
- Perdidos
- Julgados por outras pessoas
Isso é compreensível. Por isso:
- Busque informação de qualidade
- Se possível, faça terapia de apoio para os pais
- Participe de grupos de apoio ou comunidades com outras famílias na mesma situação
- Lembre-se: você não está sozinho(a)
Quando procurar ajuda profissional?
É importante buscar avaliação se você perceber que:
- Os comportamentos de desatenção, agitação ou impulsividade são muito intensos
- Atrapalham os estudos, as amizades ou a relação com a família
- A criança está com autoestima muito baixa, se chamando de “burra”, “incapaz”
- A escola aponta dificuldades constantes de comportamento e rendimento
Profissionais que podem ajudar:
- Pediatra
- Neuropediatra
- Psiquiatra infantil
- Psicólogo infantil
- Neuropsicólogo (avaliação cognitiva e comportamental)
Como falar sobre TDAH com a criança?
A forma de conversar faz diferença.
Dicas:
- Use linguagem simples: “Seu cérebro funciona de um jeito diferente. Você é inteligente, só precisa de jeitos diferentes de aprender.”
- Evite rótulos negativos como “problemático”, “preguiçoso”, “difícil”
- Mostre que ela não está sozinha e que muitas pessoas bem-sucedidas têm TDAH
- Enfatize os pontos fortes da criança: criatividade, energia, curiosidade etc.
Conclusão
O TDAH em crianças não é frescura, nem culpa dos pais.
É um transtorno real, que exige compreensão, informação e apoio.
Ao desfazer mitos, entender as verdades e aplicar estratégias simples no dia a dia, a família pode:
- Reduzir conflitos em casa
- Ajudar a criança a se organizar melhor
- Proteger a autoestima
- Criar um ambiente mais acolhedor e favorável ao desenvolvimento
Se você desconfia que seu filho ou filha possa ter TDAH, o melhor passo é procurar orientação profissional. Informação + apoio = menos culpa e mais cuidado.
Desconfia que seu filho possa ter TDAH? Converse com um profissional de saúde de confiança e compartilhe este artigo com outras famílias que podem precisar dessa informação.”